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26 janeiro 2012

Amor fora de Hora, por Katarina Mazetti

Esse livrinho bonitinho com capinha rosa chiclete e um tom de comédia romântica bem divertida me deixou de orelha em pé e eu larguei mão de outros títulos que andavam na minha wishlist há séculos, só pra poder trazer o bonitinho pra casa. Como ele é menorzinho e tem apenas 174 páginas, li bem rapidinho. E garanto, me diverti horrores.


UM LUGAR IMPOSSÍVEL PARA O ENCONTRO PERFEITO Uma jovem mulher, amante dos livros, e um rapaz do interior se esbarram repetidamente no cemitério. Um local completamente inusitado para um encontro. Certo dia, um sorriso nasce nos lábios dos dois e eles ficam deslumbrados um pelo outro. É o início de uma paixão irrefreável. Com um romantismo agitado e um humor revelador, este livro combina o choque de culturas com uma história de amor terno e desenfreado.









Amor fora de Hora nunca foi comentado aqui por terrinhas brasileiras antes, não que eu já tenha visto, e olha que de blog literário, meu vício entrega, rsrs... Daí quando eu o encontrei por um precinho baratinho na Saraiva, eu pensei: Pô, não custa nada, e além do mais, eu tô precisando dar uma colorida na minha estante e diversificar os temas (supernatural rules!).
Depois de uns diazinhos, ele chegou aqui em casa, e como eu estava sem ler nada, taquei na bolsa pra ler nas minhas viagens casa-trabalho-trabalho-casa. E o fato de ser fininho, ajuda que é uma beleza.

Tenho que assumir que eu esperava outra coisa, esperava uma comédia esdrúxula de me fazer rachar de rir, mas não é bem assim. A estória fofa de um casal que se conhece no cemitério tem “um quê” pra ser meio mórbida, mas nem por isso deixa de ser hilária. A autora sueca Katarina Mazetti tem um humor ácido e uma ótima forma de desenrolar os fatos. A gente só meio que estranha no início, os costumes e modo de pensar suecos. Mas isso vai se dissipando com a leitura.

Desirée é uma viúva jovem que vive revoltada com o falecido marido porque ele decidiu morrer da maneira mais ridícula e deixá-la sozinha. Ela não sabe o que quer da vida, não se conhece e tem uma rotina simples e sem exageros. Por outro lado, Benny é um fazendeiro que é consumido pelas obrigações do dia-a-dia e se estressa em perceber que sua vida virou de cabeça pra baixo com a morte da sua mãe e o fato de ter que assumir uma fazenda da qual não entendia nada. Mas ele se acomoda na vida de cuidar de vacas e de uma casa caindo aos pedaços. Para DesiréeBenny era um sujeito mal encarado e sem noção de vestimentas que tinha uma lápide muito feia e enfeitada pra visitar. Em contrapartida, Benny via Desirée como a mulher bege que não tinha a menor graça e parecia dependente daquela lápide simples e também sem graça que ela visitava. Ou seja, nenhum tinha nenhum interesse no outro. Até que um dia, por uma forma muito ridícula, os dois acabam sorrindo um para o outro e é aí que tudo se inicia.

É muito claro para mim que forças poderosas predominam entre o homem e a mulher. Dentro de nós, nada um óvulo que quer ser fecundado por um espermatozóide apropriado. Toda a máquina passa a trabalhar a toda velocidade assim que um deles está ao alcance.
Só que eu não estava esperando que esta embalagem externa de um cargueiro de espermatozóide fosse sorrir tanto! O óvulo tremeu dentro de mim, pulou, chapinhou, deu cambalhotas e sinalizou: “Vem cá! Vem cá!”
De preferência, eu teria gritado ao óvulo: “Quieto!”
Desirée, pág 17


Pra dar uma generalizada nas coisas, Desirée Benny não tem nada em comum, mas depois daquele breve sorriso no cemitério, ela percebe que seu relógio biológico tocou desesperado após conhecer o fazendeiro maltrapilho com cara de lenhador (não sei porque, eu só consigo visualizar o Chris Hemsworthquando penso no Benny... rsrsrs). Ela é uma viúva solitária, e por isso, se dedica ao trabalho e as suas leituras, e a uma amiga que sofre doentemente por amor de um homem que não lhe merece.

Naquele outono, li autobiografias e livros de fantasia que, na melhor das hipóteses, tinham um efeito anestésico – como se eu mergulhasse em mundos desconhecidos. E quando, de repente, os livros chegaram ao fim, fiquei deitada cansada e trêmula no canto do sofá, como depois de um naufrágio jogada na margem, à beira-mar. As biografias e os mundos de fantasia me faziam perguntas: Por que vocês está viva o que faz da sua vida tão frágil, incontrolável e curta?
Desirée, pág 23

Dessa forma, Desirée tem uma mal formada opinião dos homens. Ela acha que eles reunindo todas as qualidades possíveis, podem se tornar ótimos maridos, assim como era o seu antes de morrer. Mas o que ela deixava de lado era a questão do amor, da paixão. Isso ficava em cima do muro, esperando que explodisse a qualquer momento. Essa era umas coisas que a sua amiga, Marta, questionava muito.

—Örjan tem tudo – eu dizia teimosa. 
—Segundo o Código de Defesa do Consumidor? – suspirou Marta. – o melhor nos testes, escolhido entre os homens de vinte e cinco a trinta e cinco anos? Será que ele existe mesmo ou é somente um protótipo? Você já viu se ele funciona a bateria? Você percebeu um zunido vindo do ouvido dele...
Desirée e Marta, pág 29

O romance entre os dois começa de uma forma inusitada e por que não dizer, estranha. Mas as coisas são tão eufóricas dentro deles, que se jogam de cabeça no entusiasmo daquela relação sem pé nem cabeça.

O pateta nacional se prepara para dar o bote.
—Por acaso, você não gostaria... de... ir comigo ao cemitério?
Ela me olhou por muito tempo.
—Pelo jeito você pergunta isso a todas – ela disse, então riu como uma criança em férias de verão.

****

De uma só vez, duas coisas se tornaram claras.
Ela não esperava nenhum outro presente.
E eu me apaixonei por ela.
Não foi um clique. Foi mais como aquela vez em que, sem querer, esbarrei na cerca elétrica.
Benny, pág 40

O livro é cheio dessas tiradas legais, dos próprios protagonistas ridicularizando um ao outro e muita, muita falta de noção. É um casal que a gente percebe que nasceu pra ficar junto, mas eles são tão, mas tãaao burros, que só enxergam os obstáculos. Desirée não pode ir morar numa fazenda, ficar mais longe do trabalho e ajudar nas tarefas domésticas pra ficar ao lado de Benny. E Benny não pode deixar de ser grosseirão e individualista, e ser mais sociável e lutar pela garota que ama.

É, é um romance bem cansativo, no fim das contas, mas promete altas risadas, um pouco de frustração e raiva e por fim, faz a gente dá uma avaliada bem violenta nos nossos anseios e desejos no que se refere a relacionamentos. Pra você que tá se abusando de livros com a mesma temática (vampiros-anjos-lobisomens-garotasfutéis-amoresimpossíveis), Amor fora de Hora é um ótimo começo pra mudar de estilo. Aposto que vocês vão se divertir.

E aqui, o Benny que habita meus sonhos...

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