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01 novembro 2012

Solidão = Criatividade?


Dia desses aí lendo uma reportagem da Super Interessante, me deparei com uma curiosa pergunta que por alguma estúpida razão ficou ecoando o dia inteiro na minha mente. Pra vocês entenderem, a reportagem falava a respeito de uma pesquisa nos Estados Unidos, onde chegaram a uma determinada conclusão que as pessoas mais solitárias têm uma forte tendência a serem mais criativas. Não sei de onde tiraram a teoria para essa pesquisa, se com base em grandes gênios ou pessoas meramente notáveis. Mas o que me deixou encafifada foi o fato de que por alguma razão, essa ideia é bem... Realista.

Tenho a impressão que a solidão faz com você trabalhe mais os neurônios. Digo isso por mim, por ser alguém que sempre tende a funcionar melhor sozinha, sem pessoas falando ao mesmo tempo ao meu redor, sem ideias confusas circulando pelo ambiente. Se eu preciso resolver algo, se preciso fazer uma coisa que exija um mínimo de inspiração, necessito urgentemente de isolamento.

Mas antes, vamos ver um pedacinho da reportagem para vocês entenderem melhor...

"...Uma pesquisa das Universidades Cornell e Johns Hopkins, nos Estados Unidos, fez o teste com 200 alunos. Todos tiveram de responder a algumas perguntas para mostrar quão importante era para um cada um deles se sentir único, diferente da multidão. Aí metade recebeu o aviso de que não participaria das atividades principais (os pesquisadores deixaram claro: vocês foram rejeitados na seleção), enquanto a outra parte dos voluntários recebeu a aprovação para todas as tarefas. Na sequência, eles tiveram de desenhar um ET (!) ou encontrar uma palavra que se ligasse a outras três (por exemplo: peixe, mina e corrida; a palavra certa seria “ouro”).

No fim da história, quem se sentia excluído, mas gostava de ser diferente da maioria, encontrava respostas mais criativas e fazia desenhos mais interessantes. Para saber se eles realmente se sentiam rejeitados, os pesquisadores deram 6 frases, do tipo “eu me senti rejeitado por ser excluído das outras tarefas”, e pediram para dizer quanto concordavam com cada uma delas.

“Se você está em um estado de espírito em que não se importa com o que os outros pensam, você está aberto para ideias novas, que podem não ter vez quando você se preocupa com a opinião dos outros”, explica Sharon Kim, líder da pesquisa."


Daí fico cismada... Será que a criatividade é então uma mera consequência da solidão daquelas pessoas que não se encaixam bem em sociedade, que sofrem certas dificuldades de se adaptar ao meio? Será que ser criativo, ter ideias e conclusões interessantes está relativamente ligado ao fato de não se ter um bom convívio com o restante das pessoas? E então eu vou lembrar de Einstein, de Drummond, de Picasso, de C. S. Lewis, de Jane Austen... Seriam todos esses pessoas rejeitadas? Pessoas com problemas de socialização?


Mas peraí, então se eu quiser me tornar uma pessoa mais criativa eu deveria necessariamente ir contra a maré? Me tornar uma excluída e achar que isso é um fator admirável? Enfim... Não entendi exatamente onde isso quer chegar, e se realmente funciona para uma grande parcela da população. Penso que a criatividade pode ser um dom, sim, mas também pode ser algo trabalhado, incentivado. Quanto mais tempo você pensa, você raciocina sobre determinados assuntos, mais você consegue ver além, identificar aquilo que é incomum para outros olhos.

Eu particularmente tenho essa ligeira facilidade de funcionar melhor sozinha, mas não exatamente porque sou excluída de certos grupos ou atividades. Talvez a própria personalidade e gostos influenciem nisso... Talvez seja somente culpa da solidão que faz os pensamentos fluírem com mais agilidade, com mais eficácia. Bem, é mesmo difícil decifrar uma razão de porquê uma pessoa é pouco ou muito criativa. Mas de certa maneira, discordo em alguns aspectos dessa 'teoria da solidão'. Porque afinal de contas... Você pode ter todas as ideias possíveis, imaginar, ir além do além do infinito, mas com certeza precisará de outras pessoas para afirmarem que tudo aquilo é realmente criativo. Ou não?

No fim das contas, essa história de ser excluído, rejeitado, não pode influenciar tanto assim. Quem define o nível de criatividade de algo normalmente é um grupo, e não uma pessoa sozinha, solitária e sem interesse pela socialização. É fato que as grandes ideias surgem de maneira mais intimista, nos recantos profundos da mente humana, mas quem decide se essas ideias são triunfais, são todos aqueles que estão ao redor. E às vezes, depois de muito tempo.

Enfim... Penso que não há regras. Que não há um óbvio nesse caso. Mas é bom começar a olhar para nós mesmos e tentar nos classificar em que nível criativo nos encontramos, e logo então, observar se esse resultado é baseado no nível de solidão. Será que o que encontrarmos nos final vai ser realmente gratificante?

Por hoje é só.

Bjoks procês!

2 comentários:

  1. aain eu acho que verdade mesmo S:

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  2. Eu acredito que penso melhor sozinha, não sou excluída das coisas, mas sinto que elas fluem melhor assim. Essa pesquisa faz realmente nós refletirmos melhor.
    xoxo

    Quinze Desejos

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