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11 janeiro 2013

EU VI #17: Romance

Dando o braço a torcer cada vez mais para as produções cinematográficas brasileiras, o EU VI de hoje traz um filme super diferente do Guel Arraes e uma fuga de sua saga de amor pelos nordestinos cômicos e caricatos: Romance - estrelando Letícia Sabatella, Wagner Moura, Andréa Beltrão e Vladimir Brichta.


Sinopse: 





Pedro (Wagner Moura) é um ator e diretor de teatro, que se apaixona por Ana (Letícia Sabatella), também atriz, ao contracenar com ela na peça "Tristão e Isolda". O namoro deles é afetado pelo posterior sucesso dela na TV, impulsionado pela empresária Fernanda (Andréa Beltrão). Além disto, ao gravar um especial de TV, Ana conhece Orlando (Vladimir Brichta), um ator por quem se apaixona.






Trailer:



Pra ser um filme do Guel, claro que eu esperava muito aqueles personagens cheios de lábia e esperteza, malandros no nome e na profissão, muitas vezes, caricatos da cultura nordestina. Admito que amo personagens assim e que me divirto horrores com esses filmes que levam o tom alegre e sofrido do nordestino para todos os cantos do país. Mas me surpreendi bastante com o enredo de Romance.



Primeiro, porque é um filme que fala sobre o amor. Única e exclusivamente sobre como o amor inicia, se aprofunda, se propaga e como causa terror naqueles que se veem apaixonados intensamente. Segundo, porque mesmo tendo aquela linha de retórica eficaz característica dos filmes do Guel, Romance é mais suave, fazendo apologia aos clássicos do teatro e da literatura, dando inúmeros exemplos de histórias de casais apaixonados e consequentemente, sofredores.


O que Romance se propõe a mostrar, de uma maneira delicada e às vezes, engraçada também, é que o amor necessariamente precisa ser trágico. Fazer com que duas pessoas caiam apaixonadas, quer dizer que elas precisam ir ao limite de suas forças, "amar o amor". É nisso que os personagens de Letícia e Wagner se seguram para equilibrar o filme. Para eles, o amor recíproco não é feliz, não pode seguir adiante, não há possibilidades, de acordo com a História num geral, de dar certo. E quando eles se descobrem apaixonados um pelo outro, tentam transpor essa barreira de suas crenças, para fazer o romance funcionar.


A história num todo é bem simples: um casal de atores apaixonados que começam a ver as suas crenças servirem de obstáculos para o progresso da relação. Pedro (Wagner) quer fazer teatro, e Ana (Letícia) quer fazer teatro, mas quer fazer TV também. Até aí tudo bem, mas o problema se inicia quando picuinhas e mal-entendidos de bastidores começam a afetar no entrosamento dos dois. Preso na ideia de que o amor tem que ser cheio de loucura, Pedro dá um fim na relação antes que as coisas piorem ainda mais.


Abalados, ambos continuam a vida, prosperando em seus trabalhos. Ana faz sucesso na TV, os espetáculos de Pedro são sempre elogiados, mas eles não têm mais contato. Até que surge a proposta de Ana fazer uma série na TV, algo inovador, para gerar mais audiência. E é o nome de Pedro que ela sugere para a direção desse programa. Mesmo cheio de dúvidas, o rapaz acaba topando e a ideia é filmar Tristão e Isolda, o clássico que eles apresentaram dramaticamente no teatro, mas desta vez, com uma pegada regional, transformando os personagens medievais em pessoas populares do Nordeste no país. (Olha os nordestinos aí, gente!!! ).



As filmagens se dão em meio ao clima seco e árido do sertão da Paraíba (terrinha amada ...), e é a partir desse momento que as coisas começam a virar de cabeça pra baixo. Os personagens de Andrea Beltrão e Vladimir Brichta são ótimos e dão todo um toque de revolução ao filme. Isso faz com que Pedro e Ana comecem a repensar suas vidas, suas carreiras e principalmente, a forma como eles entendem o amor.


Para os fãs - como eu - do Wagner Moura, aviso logo para esquecerem o chefão poderoso e assustador de Tropa de Elite e deixar de vez se encantar pela suavidade e poesia de seu personagem Pedro. É belíssimo. E cá entre nós, o sujeitinho tem pegada como ninguém ... #abafa.


A história é divertida, apaixonante, emocionante, traz um pouco do contexto da TV e do teatro para a telona, e deixa o telespectador curioso sobre como os protagonistas irão resolver aquela situação conturbada. Filme brasileiro recomendadíssimo, e mais um para o povo besta parar de fechar a cara pro cinema nacional e deixar se levar pela beleza e peculiaridade dos nossos filmes.

E é só...
Inté depois, cambada!!! 

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