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04 março 2013

Um belo dia resolvi mudar...


Sim, resolvi mudar.

E não porque acordei simplesmente e pensei: Hoje é o dia da mudança. Não, tudo foi um longo e sofrido processo. Um processo de descoberta, de aceitação e principalmente, de sacrifícios.

Toda a minha vida eu tive problemas com a questão do peso. Nunca, repito, nunca fui magra, nem nunca fui gostosona, mas em alguns períodos da minha vida, eu simplesmente estava num corpo bacana e era isso, estava okay, e eu não surtava com preocupações além do normal. Mas chegaram momentos que o sobrepeso começou a incomodar. E muito.

Há cinco anos atrás eu estava no início do meu curso de Administração e tinha uma vida bem ativa. Caminhava e corria todas as noites, adorava dançar, não tinha uma alimentação super saudável, mas eu também não exagerava na comida. Enfim, eu não era magra, mas por conta da atividade física, não engordava além do "permitido".

Só que de repente, a minha vida mudou completamente. Eu mudei de casa, passei a trabalhar fora mais tempo e a ter que conciliar isso com a faculdade, e de uma hora para outra a minha vida estava cheia de ocupações e eu ficava estressada por não ter mais tempo para o lazer, mal ter tempo sequer para dormir. Só quem sabe disso é quem trabalha e estuda... Logo, com todo esse estresse eu acaba descontando na alimentação e consequentemente, na falta de exercícios físicos. Comia, comia e comia mais para aliviar a ansiedade; comia para suprir uma necessidade que não se supria nunca, comia para esquecer certas coisas. Vocês podem imaginar que isso não me levou a uma situação muito bacana.

Por sorte e pela graça divina, eu não cheguei a atingir o grau de obesidade. Talvez por conta da minha rotina ser tão corrida, que acabava que queimava de alguma forma, uma boa quantidade de calorias. O que resultou nisso tudo foi que o ano de 2012 foi meio que uma "queda brusca na realidade". E essa queda não foi nem um pouco fácil: doeu, doeu muito. Eu me via a maior parte do tempo preocupada com trabalho/faculdade que acabei descuidando ainda mais de mim e cheguei a um peso que nunca pensei chegar. Foi um choque. Essa primeira porrada na cara machucou, mas ainda não me fez acordar para a necessidade da mudança.
E foi então, que aconteceu aquele fato super comum a vida das gordinhas: ser confundida com uma grávida.

Sabe, não importa o qual bem resolvida você é com o seu peso, lá no fundo, você não vai curtir nunca alguém perguntar se você está grávida, mais precisamente com quantos meses você está, quando você não está. E sim, isso me machucou e deu a porrada na cara mais incrivelmente forte que eu já levei na vida. O bullying, a falta de jeito na hora de usar um biquíni,  nunca encontrar aquela roupa bacana no seu tamanho nas lojas e principalmente, a relação com as pessoas não foram o suficiente para mim até esse triste e deprimente episódio. Hoje eu penso que por mais que eu tenha me sentido mal, precisava daquilo. Precisava passar por aquela situação para parar e pensar: eu tenho que mudar. E eu tenho que começar agora.



Mas a mudança não é algo simples e fácil de se começar. Ela exige sacrifícios, exige consciência e mais do que tudo, exige força de vontade.

Desde setembro de 2012 que eu andava pensando em melhorar minha alimentação, em cortar refrigerante, diminuir os doces e as massas brancas. Mas acabava sempre me boicotando e o que eu conseguia fazer certinho em uma semana, eu simplesmente fazia tudo errado na outra. Só em novembro de 2012, a minha decisão foi brusca e consistente. Não adiantava eu acertar uma dieta e continuar parada, sem me movimentar. Mas pensar em frequentar uma academia era algo totalmente incoerente... Primeiro, em que horário do dia eu faria isso? Trabalho de 8h às 18h e faço faculdade de 19h às 22h20. Antes de ir para o trabalho seria impensável, já que para eu chegar no escritório na hora certa, tenho que sair de casa uma hora e meia antes. Enfim, tudo ia contra. 

Até que surgiu a sofrida e angustiante ideia de malhar na hora do almoço... Sim, era a única alternativa. E existe uma academia na mesma rua do prédio onde trabalho, então, por que não tentar? O problema é que academia é aquele lugar onde só tem gente sarada, gente que só tá ali preocupada com o corpo e que é futil o bastante para não entender como você chegou no estado em que se encontra. Eu não queria passar por isso e muito menos encarar essas pessoas. Mas eu estava tão decidida... Eu tinha ao menos, que tentar.

 

Sim, eu precisava tentar, e eu tentei. Deixei meus preconceitos de lado, deixei a minha pose de superior e principalmente o meu medo de ser taxada de estúpida, e meti a cara. Se eu não sabia fazer, se eu não conseguia, eu precisava mostrar que estava me esforçando, que estava dando o meu máximo para conseguir. Em novembro mesmo passei a frequentar uma academia e a corrigir ao máximo a minha alimentação. Fui tentando ao poucos, porque eu morria de medo de acabar desistindo no meio do caminho por não ser forte o suficiente para resistir às tentações. E assim, minha vida ficou mais corrida e agitada do que eu podia esperar.

 

O primeiro passo para mim foi esse: me desafiar. Eu estava cansada de tentar mostrar para outras pessoas que eu podia, que eu conseguia, quando no fim, eu tinha era que provar para mim mesma. Fui fazendo pequenas apostas, coisas que eu sabia que eu conseguiria cumprir, tipo, passar um mês inteiro sem tomar refrigerante (e olha que eu não era a louca do refrigerante, sequer bebia três vezes por semana), comer mais saladas no almoço e trocar o arroz branco pelo arroz integral, tentar diminuir o consumo de biscoitos e bolachas... Enfim, eu queria ir me reeducando aos poucos, porque eu sabia que não ia conseguir viver de dieta, até porque a dieta dura um tempo determinado e depois corria um risco muito grande de eu voltar a comer todas as bobagens outra vez.

 

Mas em dezembro eu entrei de férias do trabalho, e acabei parando de ir à academia...

Sim, foi frustrante. Principalmente porque dezembro é o mês das festas do ano que eu mais gosto e consequentemente, que eu mais como. Posso dizer que enfiei o pé na jaca, mas de alguma forma, eu consegui me controlar um bocado. A primeira coisa que aprendi nesse período foi dizer não. Não aos doces, não ao refrigerante, não às comidas fora de hora. Foi fácil? De jeito nenhum! Mas eu tinha que me conter e eu sabia que aquele processo traria um benefício a longo prazo.

 

Antes de tudo, eu tenho que explicar que para começar uma mudança como essa, você tem que saber onde quer chegar. Lembra daquela frase de Alice no País das Maravilhas? Se você não sabe onde quer chegar, qualquer caminho é válido! Mas eu sabia onde eu queria chegar e quis buscar a forma mais saudável e duradoura possível. Porque afinal de contas, nós desejamos o corpo que nos é vendido nas lojas, nos manequins, nas passarelas, corpos surreais que muitas vezes, não refletem a realidade.

Eu nem tenho todas essas pretensões, pra falar a verdade. Eu não anseio um corpo magérrimo, não pretendo ter a barriga sarada cheia de gominhos e nem quero ter os braços delineados ou a melhor bunda do século. Não, eu só quero estar bem e saudável. Quero usar uma roupa e me sentir legal, quero ir à praia e não ter que me esconder debaixo de uma canga.

 

E também não quero participar de um Projeto Verão.

Acho isso bem idiota, se querem saber. Primeiro, porque não acho justo você se matar, passar fome e ficar paranoica com calorias só pra poder usar aquele micro biquíni na praia. Não, não é por aí. O primeiro passo é entender o seu corpo e se aceitar. O que é bem diferente de se conformar. Se eu aceito uma situação não quer dizer que eu tenha que permanecer com ela para o resto da vida; eu tenho o direito de mudar.

 

E a malhação tem me ajudado muito.

Voltei a malhar em janeiro e tenho persistido. Às vezes é complicado, porque o horário do almoço também é o horário que tenho para fazer os trabalhos da faculdade, mas não penso em desistir. O corpo reclama, grita que não consegue mais, só que a dor traz uma recompensa. E a consciência fica tranquila no fim da semana... Agora ando até com muita vontade de malhar nos fins de semana também, tenho apenas que aprender a ter disciplina, porque malhar em casa exige determinação dobrada.

 

Quando eu lia esses sites onde as pessoas falavam sobre como conseguiram pender 30 quilos ou como ficaram saradonas em poucos meses eu pensava que era algo impossível pra mim. Na realidade, ainda acho isso meio precipitado. Mas algumas pessoas me serviram de inspiração, a Marina e a Ana. De alguma forma, elas me mostraram que eu podia levar uma vida de hábitos saudáveis sem ter que abdicar totalmente de pequenos prazeres como comer chocolate ou um pedaço de pizza. O grande segredo era não boicotar as atividades físicas e manter o controle.

 


Uma alimentação saudável não é algo impossível de se ter. E pra mim não seria assim tão difícil, justamente pelo fato de que não tenho problema algum em comer frutas e verduras. A questão é manter o equilíbrio. Comer certinho de três em três horas me mantém saciada e acelera o meu metabolismo (que acho que é mais lento que uma tartaruga), além de evitar que eu coma além do limite nas refeições principais. Comer devagar também é muito interessante, porque dá ao seu cérebro tempo para entender que você está saciada. Eu sempre achei que isso era balela, mas comprovei que faz muito sentido. Toda vez que eu como apressada, termino a refeição ainda com fome. Já quando como lentamente, sentindo o sabor da comida, mastigando bem, às vezes ocorre de eu nem terminar de comer, e já me sentir cheia.


Uma coisa posso garantir a vocês, mesmo sendo leiga no assunto: pequenas mudanças já trazem bons efeitos. Ingerir mais fibras, comer nas horas certas, aproveitar as frutas e tentar ao menos, fazer alguma atividade física três vezes por semana podem fazer uma mudança extraordinária no seu corpo. E não fique desesperada se as coisas não mudarem do dia para a noite. É como eu falei, essas coisas são um processo e muitas vezes, demorado. O importante é manter o foco.


Desde janeiro fui a balança somente uma vez e logo que voltei a malhar. O resultado não foi o melhor: eu estava estagnada. Mas não baixei a cabeça e pensei em desistir. Porque afinal, se ainda está ruim com a mudança alimentar e a malhação, pior estava sem elas. Não vou negar, a balança me assusta horrores e ando fugindo dela como o diabo foge da cruz, mas sei que pra seguir uma estratégia que funcione, eu tenho que ir lá subir na maldita. Talvez eu ainda não tenha obtido resultados mais significativos, porque não fui a um endocrinologista saber se tenho algum problema para emagrecer ou outro tipo de coisa. Esse é o próximo passo e já estou procurando o nome de algum que atenda pelo meu plano de saúde. Mas enquanto isso, já notei que minhas roupas estão mais folgadas, minha cintura e meus braços já estão 2 centímetros menores e me sinto bem mais disposta e animada, conseguindo fazer coisas na academia que antes parecia surreal.


Por fim, quero dizer também que não estou com pressa, não tenho um prazo a cumprir. Quero somente me reeducar e ter uma vida mais saudável, juntamente a um corpo bacana. A atividade física me anima (principalmente o jumping que estou fazendo agora), suar me faz liberar o estresse e deixa a raiva e ansiedade sair. O legal é naqueles dias de loucura no trabalho, quando você está tendo mil e um problemas. Pular na cama elástica sem medo de ser feliz e deixar o suor correr livremente é simplesmente a melhor maneira de liberar a tensão, juro.

Eu não tenho coordenação pra correr na esteira e morro de medo de tropeçar naquilo e pagar mico na frente de todo mundo, além de achar aquele troço super chato. Se for pra correr que seja ao ar livre, sentindo a brisa bater no rosto. Assim, eu me dedico aquilo que gosto mais, que não tem que ser necessariamente o mais fácil. Pra você que tá pensando em começar a malhar, te digo uma coisa: não se sinta mal por não conseguir fazer o que as outras pessoas fazem, por não conseguir levantar muito peso, ou por achar que está sofrendo mais que tudo para fazer determinado movimento. Dê tempo ao seu corpo para se acostumar, aos poucos ele vai entender o comando.


E eu sinceramente não sei se quem vai ler esse post é uma pessoa que está passando pelo mesmo que passei, mas quero só deixar claro para todo mundo que o importante é começar a mudar. Quando se começa, percebe-se que não é algo tão impossível assim e logo, se motiva a continuar. Eu não me enxergava como uma pessoa gorda, não me reconhecia e principalmente, não me aceitava. E quando você está inconformado com uma situação, seu desejo é mudar e foi o que eu me dispus a fazer.

E decidi fazer esse post para me ajudar também, porque quanto mais eu mostrar que estou me dedicando, mais vou ter ânimo para persistir. Sei que tenho um longo processo pela frente, sei que ainda tenho que mudar algumas coisas, sei que vai ser um dia após o outo de luta para se vencer a guerra.

Mas o importante é que resolvi mudar. E os resultados chegarão, eu sei que sim.


Imagens: Tumblr

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