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16 abril 2013

Eu sou o poema Amar...


Já dizia Manoel de Barros que "tem gente que nasce poesia", e pra não ficar de fora, sou uma dessas sonhadoras da vida que tem consciência que nasceu assim, cresceu assim e é mesmo assim... Talvez a poesia seja mais do que uma inclinação para as palavras, seja mais do que um amor pela beleza, e sim, uma forma singela e emocionante de encarar a vida.

Mas e se fôssemos mesmo nos auto definir como um poema? Juro que não saberia dizer qual seria o autor que explicaria minha vida. Apesar de gostar muito de Versos Íntimos do Augusto dos Anjos, por exemplo, não acredito que esse seja o poema que nasceu para eu chamar de meu.

Em todo caso, foi pensando assim que a página Educar para Crescer lançou um teste muito simpático para todos nós que amamos a poesia. Tal teste consiste em identificar qual poema do célebre Carlos Drummond de Andrade nós somos. São 10 perguntinhas rápidas que avaliam qual temática nos é mais interessante.


Ficou curioso? Clique AQUI para acessar o teste.

Sim, eu fiz o meu e o resultado não poderia ser mais exato: O poema AMAR ("Você é apaixonado. Você ama e ponto. Como um militante do amor, leva o sentimento consigo para onde for. Não tem apenas um amor, tem o amor em você.")



AMAR

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade


Bonitinho, né? Vão lá fazer o teste e voltem aqui pra me dizer o resultado.

Bjoks! 

Um comentário:

  1. Gostei do poema e estou correndo pro link pra fazer o teste!
    Beijos

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