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31 julho 2013

Eu, Leitora


Começo essa transcrição informando somente que, de fato, não sou leitora.

Todavia quem costuma ler livros com certa frequência denomina-se leitor, o fato é que ainda assim, não sou leitora. E posso explicar isso dizendo que tenho preconceito com certos livros, sou chata para linguagens rebuscadas, tenho preguiça e abandono uma obra atrás da outra, vivo a arte da procrastinação ao pé da letra e ah! não li um terço dos livros que os entendedores consideram cruciais. Talvez tudo isso não me classifique como menos leitora que os demais, embora ainda assim, também não melhore a minha reputação.


Fui uma criança que gostava de livros de colorir, de desenhos, de imagens engraçadas, de me perder com os embates da Mônica e do Cebolinha, não de tentar decifrar os enigmas da grande e vasta literatura. Eu conheci Harry Potter depois da adolescência e não, não li todos os livros da série (me crucifiquem!).

Mas daí eu fiquei divagando por meu amor pelas palavras e busquei saber de onde ele surgiu. Quando? Como? Por que? Na verdade, é difícil explicar. Eu era da turma da poesia, sim, mais tarde, depois das aventuras com os livros de colorir. Eu curtia Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes, Augusto dos Anjos, Cecília Meireles... Eu colecionava cadernos e mais cadernos com os melhores poemas, letras de músicas, textos , crônicas e qualquer dessas coisas que chamasse a minha atenção. Eu era da galera que devorava um livro de gramática e um de literatura. E bem... Daí hoje eu estudo Letras.


A minha vida tomou rumos diferentes, percorri um caminho árduo pelas ciências aplicadas, mas as palavras sempre continuaram ali à margem da ilusão, sempre esperando o momento certo de entrar em cena. Elas me perseguem, me instigam, me animam e me dão uma boa desculpa para continuar amando-as. Mas então, porque afinal, não sou leitora? Bem, eu não acho que sou leitora porque li a saga Crepúsculo em duas semanas, ou porque sou viciada em atualizar o Skoob, ou mesmo porque penso mais em qual próximo livro vou comprar do que na próxima roupa, sapato, viagem... Eu não sou leitora simplesmente porque o leitor com L maiúsculo é aquele da atenção, aquele que está sempre atento aos detalhes, aquele que já percebe de antemão o desfecho, aquele que não se contenta com pouca coisa e sim, aquele que critica muito. O leitor de verdade é chato, então não, não sou leitora.


Gosto de livro sobre quase tudo, não leio tudo, vivo colocando meus livros para troca, até aqueles que demorei um tempão para conseguir. Não tenho muita fidelidade aos títulos e sofro com ressacas literárias amargas. Eu sonhava ser como a Clarice Lispector quando crescesse e contar histórias incríveis como a Jane Austen e ser doce e engraçada como a Sophie Kinsella. Mas hoje tenho uma gama de autores prediletos e outros que não tenho mais paciência pra gostar (Nicholas Sparks que me desculpe). Posso ler tranquilamente quinze romances de banca e gostar de todos eles e então pegar qualquer fenômeno mundial do momento e detestar (sim, me odeiem por isso). Não sou de modinha, não sou de vícios, não sou de me apaixonar por qualquer coisa. Uma vez eu peguei um livro que ninguém conhecia e ele virou meu preferido; outra vez fui ler House of Night e simplesmente tive vontade de jogá-lo fora. Sim, talvez eu seja um pouco chata.


Tenho ânsia de pessoas que se acham superiores porque leem. Ninguém é obrigado a ler ou gostar de ler, então não ache que porque você lê todas as besteirinhas de vampiros de duzentas páginas você é melhor que qualquer pessoa. A leitura não te torna melhor que ninguém, ela te torna mais sábio, e se você realmente lê, saberá que não deve menosprezar aqueles que não o fazem. Incentive, não desmotive. 

Hoje o meu amor pelas palavras é algo insanamente perigoso. É algo que não vivo sem, não sei definir. A minha estante só cresce, principalmente a interna. Existem livros dentro de mim a serem lidos, ou por mim ou por quem tiver coragem. Existem histórias de fantasia, de guerra, de emoção, dramas e romances, e um bocado de comédia. E as palavras se ampliam, se multiplicam, se transformam a cada dia. Tenho um livro na ponta da língua também... Então, baseando-se em tudo isso, suponho que meu amor pelas palavras deriva da famosa Síndrome Augustus Waters: tenho medo de ser esquecida, e qual melhor forma de me perpetuar pela eternidade se não for pelas palavras? Porque as palavras possuem um poder inimaginável, até a Bíblia diz isso.


Eu não vou me julgar como leitora, não vou me arranjar um rótulo. Continuarei lendo o que gosto e às vezes, o que não gosto também. Vou ler em ritmo lento porque não tenho obrigação de ler todos os lançamentos do ano, vou ler aquilo que já abandonei trocentas vezes, vou enfatizar a literatura de fábrica e negligenciar os clássicos, vou fazer do meu jeito, afinal os direitos do leitor estão aí, devidamente assegurados por Daniel Pennac. E também vou continuar dividindo as palavras com os números, com a minha vida social, e deixando de comprar aquele livro novo pra comprar um batonzão vermelho em vez disso. Eu estou lendo, não virando escrava. Porque é pra isso que as palavras servem, pra nos libertar, pra nos mostrar o caminho certo. E já que são elas o foco deste post, acho que é pertinente eu honrá-las em minha citação final, pois como diria a saudosa Liesel Meminger: Eu odiei as palavras e as amei, e espero tê-las usado direito.


5 comentários:

  1. Amei seu post! Somos realmente muito parecidas, tem muita coisa que vc falou que eu concordo com vc, outras não, mas isso é que faz o ser humano ser distinto um do outro. Como vc disse, as vezes leio vários livros de banca,e amo todos, e quando vou ler um de Nicholas Sparks por exemplo, detesto, falo que perdi meu tempo meu dinheiro. A leitura tem que ser uma atividade prazerosa, algo que lhe dê prazer, satisfação por estar lendo, não uma coisa obrigatória, ou pq esta na moda ou pq os outros acham que tem que ser lido, leio por prazer, pq tenho vontade, pq me anima, pq me faz feliz, não por obrigação. E com seu post eu descobri que também não sou leitora, pq eu não sou chata, embora as vezes eu tenha vontade e esganar algum autor, kkkk, mas é normal. Bom eu amei seu post, e vou ficar por aqui, antes que eu escreva um post também. beijo Rita Hora.

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  2. Oi, Rita!
    Ainda bem que eu não sou a única com essas neuras sobre leitura, né? Às vezes, o povo enche o saco porque temos que ler isso ou aquilo, pq só é considerado leitor aquele que lê grandes coisas e tudo mais. Eu sou da teoria do "seja feliz com o que você quer". Não gosto mesmo de rótulos e a leitura se torna prazerosa quando você está lendo o que curte e não aquilo que alguém disse que era bacana. E como eu falei, não sou nada crítica, nada fã de rótulos. Ler tem que ser divertido antes de tudo.

    Seja bem vinda e volte sempre!

    Bjoks =D

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    1. Oi Jane!
      Fique feliz em saber que vc não é a unica com neuras sobre leituras, eu tenho várias, aos montes mesmo. Eu nunca seria considerada uma grande leitora, meu tipo de livro não se encaixa nas grandes obras, eles são grandes pra mim, pra mim tem um significado imensurável, amo meus livros, amo ler e leio o que amo, não leio modinha, não leio pq a critica literaria assim o manda, leio pq me interesso pela capa, sim essa me conquista muito, leio pq amo a sinopse, não pq sou obrigada, ou pq tá na moda e tenho que ler. Nunca li Harry Potter, acho ele um bruxinho muito fofo, mas nunca li seus livros, nunca li os tons de cinza, não me interessei, nem pela capa muito menos pela sinopse. Leio pelo prazer da leitura, por me perder em um mundo muitas vezes melhor que o meu, leio pra rir, pra chorar, mas nunca pra satisfazer ninguém, só a mim.
      Beijo Jane

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  3. crucificar por não ter lido todos os livros da série Harry Potter? Eu não li nenhum, são todos uma porcaria.

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    1. Ah, Jackson... Não seja tão insensível. Harry Potter é muito bom, são livros juvenis, então muito provavelmente não irão agradar a todo mundo. Ainda não li todos eles, mas os tenho bonitinhos na minha estante. Dê uma chance a eles também ;-)

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