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22 julho 2013

Para apreciar: North & South

Em meio aos meus desesperos acadêmicos com Fonética e Linguística, eis que me aparece uma coisinha bonitinha da tia, com toda a pompa e elegância pra nutrir meu fim de semana com brilho nos olhos e sorriso colgate. A preciosidade da vez é uma série de 2004 transmitida pela BBC londrina e inspirada na obra da escritora Elizabeth Gaskell. North and South tem Richard Armitage (o Thorin de O Hobbit) no papel principal e a sutileza da atriz Daniela Denby-Ashe dando vida a uma protagonista doce e determinada.

É para apreciar junto com um panelão de brigadeiro...

Margaret Hale (Daniella Denby-Ashe) é uma das heroínas mais originais da literatura. Nascida em uma família de classe média, ela tem uma posição privilegiada no campo do sul da Inglaterra. Uma decisão de seu pai leva a família para a urbana cidade de Milton, no norte do país e os Hale sofrem um choque cultural e social, que se aprofunda conforme Margaret se indigna com as mazelas da sociedade industrial. John Thornton (Richard Armitage), tutelado pelo pai dela, é um símbolo por excelência dessa sociedade e sua proximidade com Margaret trará consequências inesperadas. Obra clássica da autora Elizabeth Gaskell, North and South explora os conflitos de uma paixão contida entre pessoas diametralmente opostas e as dificuldades que a distância social impõe às relações humanas.



Conheci a série numa das passeadas à toa da vida pela internet. Fiquei animada com qualquer coisa que me lembrasse ao menos que remotamente o espírito nostálgico e romântico de Orgulho e Preconceito. E a produção classuda de North and South não deixa a desejar; o que por isso faz com que a obra remeta em muitos tons aos clássicos da diva Jane Austen.

North and South, no entanto, é um livro da escritora britânica Elizabeth Gaskell, que por um infortúnio da vida, não teve muita divulgação aqui no Brasil. A escrita pomposa e realista da jovem da era vitoriana traz, além do romance obrigatório, relatos e detalhes importantes sobre a sociedade local e movimentos históricos. Gaskell era amiga íntima de outra célebre escritora inglesa, Charlotte Brontë, autora de Jane Eyre e, North and South é sua obra mais conhecida, sendo publicada em 1854.

Capa do livro em português - edição bilíngue pela Editora Landmark

A temática fluída e realista do livro inspira uma série televisiva com uma visão perfeita, coisa que acontece muito raramente. Quando digo que é pra acompanhar com um panelão de brigadeiro, falo bem sério. Porque apesar da história ser um romance, não é um água com açúcar em que você pede pra chegar ao fim e acabar com o dramalhão. Há momentos delicados, inspiradores, comoventes e tudo bem entrelaçado, ligando histórias, fatos e ficção.


Para resumir um pouco, North and South (Norte e Sul) trata da história da jovem Margaret Hale, uma moça de Helstone, do sul da Inglaterra e que passa por uma mudança radical ao ir junto com os pais morar na conturbada e tumultuada cidade industrial Milton, no norte. Margaret acabou de passar uma temporada com sua tia em Londres e ao retornar para o casamento de sua prima Edith, acaba por receber uma proposta romântica do simpático Mr. Henry. Com ideais determinados, Margaret recusa a proposta, mas seus costumes sulistas não a abandonam de todo quando ela chega ao caos de Milton.

Nessa saga acompanhamos o estopim da Revolução Industrial Britânica e como as fábricas começam a mover incessantemente a economia. É nesse contexto que se desenrola a trama de North and South. Margaret, adaptada à vida no campo, à simplicidade e maneiras delicadas, vê-se cercada de pessoas e trabalhadores, gente passando fome, caos, problemas que precisam ser resolvidos, mas sem esperanças. Do lado oposto, dono de uma dessas fábricas, Mr. John Thornton é um possível carrasco aos olhos de Margaret, principalmente quando ela o vê bater em um dos trabalhadores porque o mesmo se atreveu a acender um cigarro no local de trabalho. O que Margaret não espera é que Mr. Thornton venha a ser logo em seguida, aluno de seu pai, um ex-clérigo que decidiu optar pelas desventuras da cidade grande.


A história segue um ritmo contínuo, interessante e contundente, mostrando a jovem sulista sendo bombardeada pela nova realidade. Ela logo faz amizade com a classe pobre, mantendo uma relação íntima com os trabalhadores e passa a condenar os patrões pelos excessos usados no trabalho. O que surge a seguir é o óbvio, porém não adequado sentimento estranho em relação ao Mr. Thornton, o sujeito arrogante e que se impõe de maneira petulante. Pontos para a interpretação magnífica da atriz que dá vida a mãe ciumenta, super protetora e cuidadosa do John, ela faz a tensão da jovem Margaret sair dos eixos.


A partir disso vemos o embate das tradições sulistas e nortenhas e a confusão se estabelecer nas mentes dos nossos protagonistas. Vale salientar e com S maiúsculo que é um primor ver o Richard Armitage dar vida ao nebuloso (e completamente charmoso!) Mr. Thorton. A classe do personagem é irresistível e o torna aquele tipo do qual você pode amar e odiar ao mesmo tempo. Por outro lado, a personagem da Daniela Denby-Ashe é rica em sutileza e jovialidade. Suas cenas são sempre impecáveis.


A revolução industrial também entra em cena com mais furor, quando se inicia a greve dos trabalhadores e as produções são postas a perder. O orgulho entre patrões e empregados impede que haja uma negociação eficaz e logo Milton passa por um período de forte miséria e decadência.


As tragédias não custam a aparecer: crianças com fomes, famílias desesperadas, os anti-grevistas se manifestando, trabalhadores sendo contratados da Irlanda para retomar a produção.


O enfoque social registrado de maneira firme e um tanto romântica dá impulso para o desenrolar da história de Margaret e Thornton. Numa revolta entre os grevistas, a moça não mede esforços para se meter na frente do patrão e ser ferida em seu lugar.

Isso é o que basta para Thornton reconhecer seu sentimento pela jovem sulista, o que rende uma das cenas mais bonitas da série.


North and South, no entanto, revive sua história a cada episódio (quatro, no total). Não nos cansamos de acompanhar a saga dos personagens que se vêem sempre em meio a complicações perante seus anseios. Embora o enredo não seja completamente previsível, ele tem alguma marcações fieis aos romances da era vitoriana.


De certo modo, algumas cenas podem nos levar às lágrimas tanto de tristeza, de consolação, ou de piedade. E em outras, o romance e a firmeza do período de mudança histórica se torna mais veemente.


A fotografia também é incrível e traz imagens perfeitas. Sem falar do figurino e das locações que são impressionantes. A produção apostou alto nessa empreitada e que rendeu um sucesso estrondoso.


Fiquei tão gamada na beleza da série que já catei o livro da Gaskell pra dar uma lidinha. Ainda estou nas primeiras páginas, mas é inevitável não fazer uma suave comparação com a diva Jane Austen. A personagem principal, Margaret, é tao destemida e encantadora quanto Elizabeth Bennet. E as similaridades não terminam por aí, pois o próprio Mr. Thornton tem um quê bem impressionante de Mr. Darcy. Viu que vale à pena?




Pra quem curte apreciar obras clássicas ou mesmo conhecer algo um pouco diferente da banalidade atual, North and South é uma dica perfeita. Garanto que vocês vão gostar e no fim, vai estar todo mundo com lágrimas e sorrisos nos olhos.

E como eu sou muito boazinha , cuidei de deixar todos os links aqui pra vocês encontrarem a série. Divirtam-se!

Clique AQUI para baixar o livro.

Acompanhe a série nos links abaixo:

Episódio 4 (Final)


Imagens: Reprodução

3 comentários:

  1. A minha surpresa com a adaptação da mais conhecida obra de Gaskell (e acho que não é tão famosa quanto merece) foi gigantesca. Primeiro, pela maravilhosa escolha do elenco. Os atores são muito parecidos (tanto fisicamente quanto em relação à personalidade) com os personagens do livro. A maravilhosa química de Richard Armitage e Daniela Demby-Ashe também é sensacional. Por último, o contexto socio-político do livro foi muito bem adaptado. Temi que se voltassem demais ao delicioso romance e se esquecessem do interessante momento histórico da Inglaterra, muito bem narrado pela autora (quem, inclusive, passou sua vida neste meio). Enfim, se não gostarem da história, podem curtir os olhares enlouquecedores de Armitage, que está lindo (que meu marido nunca leia este comentário)!!

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    1. Pois é, também achei a série muito bem produzida, e ela é realmente inspiradora, nos mostrando fatos de um período que muitas vezes não valorizamos, afinal o que ocorreu na Inglaterra teve um reflexo muito grande aqui no Brasil. Também amei os personagens super bem delineados e claro, o Richard Armitage é muito amor! Super te entendo, rsrs. Bjok! =)

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  2. A excelência da adaptação me surpreendeu. Tão boa quanto a série (da mesma BBC) de Orgulho e Preconceito com o Colin Firth. Nesta adaptação, chamam a atenção o casting - os atores são muito parecidos com os personagens, tanto fisicamente quanto em relação à personalidade -, a química sensacional entre Armitage e Derby-Ashe e o contexto socio-político do norte da Inglaterra da época. Temia que se focassem demais no adorável romance entre Margaret e Mr. Thornton e deixassem a questão do declínio da indústria de algodão e das greves gerais da época, que Gaskell soube descrever tão bem. Mas a série conseguiu equilibrar os dois, misturando cenas belas românticas a diálogos políticos muito interessantes (e a atualidade das discussões é impressionante).

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