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11 janeiro 2014

7 Dias Longe da Cidade Grande - Cheiro de Mato e Céu de Estrelas

Imagem: Reprodução


O dia começa cedo. A primeira regra do sítio é: você realmente vai acordar com as galinhas. Os sons estão por todo o lado, não dá pra bancar a moça da cidade e achar que dormir até tarde vai adiantar. Não, o sítio faz seu corpo querer luz, sol, atividade. E as tarefas são produtivas, a curiosidade instiga. Primeiramente, o cheirinho de café quente diz ao estômago que a felicidade de comercial de margarina realmente existe; e segundo, os besouros e os sapos no quintal te fazem lembrar que aquilo só durará sete longos dias.

Bem, é hora de aproveitar. Mas aproveitar o quê mesmo? A paz! Pare um minuto e por incrível que pareça você consegue se localizar no presente. Não, a sua mente não está desvendando os mistérios do passado, nem tentando resolver os problemas do futuro. Você está aqui, sozinho, tranquilo, você pode ouvir até seus próprios pensamentos. Quem diria que isso seria possível, hein? Começa-se uma pequena caminhada, conhecendo o ambiente, analisando porque tudo aqui é tão diferente lá da cidade do trânsito e da correria. Aqui os pássaros são mais livres, os bichos vagueiam por aí sem medo, até as árvores balançam com mais força. Apurando os sentidos, aquele cheiro inigualável chega pra deturpar suas ideias. Ora, que mistura excepcional! Parece chuva, mas é a grama do quintal; parece vento, mas é a brisa do fim de tarde; parece difícil de explicar, mas é só o cheiro daqui, da natureza e do homem convivendo juntos. Quantas vezes você respirará fundo dentro do seu minúsculo apartamento rodeado de móveis e objetos decorativos e sentirá esse mesmo cheiro?

Caminha-se mais, esticando os braços, as pernas. Há tanto espaço que você poderia se exercitar livremente, debaixo desse sol majestoso que nem parece ser o mesmo da cidade grande. O céu é mais cheio de nuvens e de repente, você se pega sonhando acordada debaixo de um pé de fruta, porque aquela nuvem tem formato de cachorro e a outra se parece com um elefante erguendo a tromba. Tudo é confuso, ou tudo é mais claro, é difícil entender. O sítio traz essa emoção antiga, nos faz pensar que somos jovens o bastante para sonhar de novo, para achar que os dias são mais longos e que podemos ficar balançando na rede até anoitecer. E enfim, quando o laranja cobre o horizonte e a noite chega, o silêncio perdura, e ao longe você só consegue ouvir os grilos e a brisa noturna batendo na copa das árvores. O céu está negro, não há movimento. Mas você sabe que tudo acabou, que o dia chegou ao fim quando percebe que está olhando lá pra cima, como há muito tempo você não fazia, e se diverte vendo as brilhantes estrelas sorrindo pra você. Elas parecem dizer boa noite.

Então, você educadamente retribui o gesto. Sorri. Fecha os olhos.

Boa noite, estrelas, boa noite.

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