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14 janeiro 2014

7 Dias Longe da Cidade Grande - Doce de Mamão com Coco

Imagem: Reprodução


Já dizia uma certa senhorinha que o sertão tem seus costumes mais estranhos e um deles é comer tanto doce quando se tem tão pouca água. E é de fato verdade. No sertão tem doce de todo tipo, do mais comum ao inimaginável. Doce de leite é quase como o cafezinho de depois do almoço, uma regra, uma obrigação. O sertanejo vive do doce como formiga, roendo aqui e ali, beliscando, provando, testando, enchendo latas e latas das sobremesas.

Pra quem o doce não é suficiente, vamos lá que tem cocada de grandes potes, tabletes de rapadura branca, rapadura preta e mais uma tigela de goiabada. Na mercearia ainda dá pra encontrar uns pequenos lanchinhos, biscoitos unidos por uma fatia de doce. E se ainda não for bastante, claro, tem a coalhada e o mugunzá que vão salpicados de açúcar ou leite condensado. Tudo isso só pra depois ter que secar a água inteira do pote; a sede é grande e o doce aumenta. Aqui no sítio as comidas são sem freios, mesmo com a estiagem, mesmo com a dificuldade. A plantação, o gado, o galinheiro dão vida ao que pareceria morto.

Mas no meio dessas histórias de beira de porta, há sempre aquela que vem acompanhada de um docinho gelado, aquele num pequeno prato de porcelana antigo, decorado com flores pintadas à mão. Ah, o doce de mamão! Ele brilha como mel, ilumina, reluz, fortalece. Os pedaços são cortados miúdos, mais dourados impossível, enche os potes de vidro, faz pose na estante da cozinha. E vem doce de ovo ou de gergelim, doce de banana ou compota de abacaxi. E parece que o tal doce se reproduz na chuva. Sim, aquela que chega no fim da tarde sem ninguém esperar, lava a terra vermelha do quintal e o pé de manga e vai deixando um rastro na porta de entrada.

Chuvinha fina de verão, traiçoeira, faz coçar o nariz e a garganta, deixa o cheiro de barro molhado por todo lado. Só não tira o cheiro do doce; esse enche a geladeira. E ali mesmo no batente da cozinha, avistando as galinhas ao longe, o pratinho de doce de mamão com coco irradia. E leva um biscoitinho de nata, um pãozinho quente. Se brincar tem até um chá de hortelã pra refrescar o sabor. Parece até que o doce daqui é mais doce. Na cidade tem outro gosto, outra forma, outro preço. Aqui é o feijão com arroz, é o tempero. Pode faltar fruta, verdura, até mesmo a água, mas o pote de doce é rotina, tem hora marcada.

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