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13 janeiro 2014

7 Dias Longe da Cidade Grande - Longas Horas

Imagem: Reprodução


Quando todo mundo vive apressado, correndo de um lado para o outro nas grandes cidades, a vida no sítio parece que anda para trás no relógio. Tudo é lento, tudo é demorado, tudo é distante. A manhã é trabalhosa, mil e uma atividades, tem bicho, tem planta, tem comida, e o sol castiga. Sem falar na estiagem! Ah, seria bom se caísse um pouco d’água, baixasse a poeira, lavasse a terra, banhasse o gado, desse um fôlego paras as folhas ressecadas.

Mas aí o dia se prolonga. Meio-dia, uma, duas da tarde... Mesmo cumprindo os afazeres tudo parece levar uma eternidade. Quinze minutos são uma vida toda, você se perde em pensamentos, em dúvidas sobre o que fazer. Caminhar pelo terreiro, avistar as planícies ao longe, observar os bichos disputarem comida lá do outro lado, e caminhar, caminhar, caminhar. Se fosse na cidade o tempo já tinha corrido, já era noite, já era tarde, uma outra etapa começava. No sítio a noite quer dizer fim de tudo, nada se move, nada se concretiza, é hora de encerrar. Mas o tempo ainda não correu, e as horas ficam longas, mais extensas do que esses campos largos, o ócio invade, a mente processa mil e um pensamentos consecutivos. No sítio não há pressa em determinadas horas.

O calor também não ajuda. O mormaço traz suor, traz agonia, irrita. O balanço na rede não resolve, então só se resta caminhar, caminhar, caminhar através das longas horas. Ah, se chovesse somente um pouquinho! Uma gota d’água aqui e ali, uma tempestade de verão, um indício de nuvem que fosse. Mas o sertão tem dessas coisas, senão que outro nome teria além de sertão? A rotina ficou para as cidades grandes, o corre-corre, a hora marcada, a chegada e partida. No sítio o silêncio é companheiro, mas também pode trair. A paz é inerte, mas é insensata. A vida é uma faca de dois gumes, põe diferença por todo lado, até no jeito de encará-la.

Enfim, as horas tomam seu rumo. Vai anoitecer. O laranja cobre o céu mais uma vez, os sapos estão chegando junto com os besouros da noite. É hora de preparar o café, a sopa, se sentar para jantar em silêncio. O sono não custará, ele vem mais rápido do que o tiquetaquear do relógio. Pois aqui nada tem pressa, só a gente, a gente que quer que tudo aconteça de repente.

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