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17 março 2014

EU VI #19: Ego

Sabe aquele filme que você vai assistir sem muitas expectativas, sem muito saber o que esperar ou não, e até mesmo sem estar com toda aquela vontade de assistir? Aconteceu com essa simpatia sueca chamada Ego.

Mas o filme se tornou uma grata surpresa, mesmo parecendo perambular pelas aventuras cheias de luzes e canções pop da Disney, ele mostra uma maturidade e elegância bem diferente. E eu que nunca tinha visto nada vindo lá da Suécia, me espantei com a qualidade do material.


Sebastian (Martin Wallström), 25 anos, gosta de cantar e está prestes a assinar contrato com uma gravadora. Quando tudo está prestes a engrenar em sua vida, ele sofre um acidente e fica cego.
Enquanto seu futuro é negro, ele conhece Mia (Mylaine Hedreul), uma moça que normalmente ele não prestaria atenção. Ela é a primeira a abrir seus olhos para seu talento e tudo o que é importante na vida. Mas quando Sebastian descobre que ela não é o que ele espera, as coisas mudam de figura.



Trailer:




O filme conta a história do vaidoso e arrogante Sebastian, um sujeito que tem tanto que acha que ser auto-suficiente é a melhor coisa que existe. Ele não precisa do amor dos amigos ou mesmo de sua família. Ele só precisa se tornar um astro da música e está indo no caminho certo. Entre festas, mulheres, badalações e todo um cuidado com a aparência, Sebastian nunca imaginaria que o destino pode ser cruel de maneiras bem distintas.


Na contramão, conhecemos Mia, uma jovem normal, simples, simpática e sem qualquer atributo que a transforme em especial para alguém. Ela é só alguém agradável e que está buscando divertimento onde lhe for mais fácil.


O caminho desses dois se cruzam depois que Sebastian sofre um acidente e acaba perdendo a visão. É aí que achei a engrenagem do filme bastante ousada, porque não focou apenas num romancezinho tolo com muitas cenas de pegação ou mesmo, de declarações apaixonadas. A amizade pareceu se destacar mais, com suavidade e aquele toque instigante que só os filmes não-americanos parecem ter.


Mia é contratada pela família de Sebastian para ajudá-lo no dia-a-dia, a passear, sair de seu esconderijo traumático e encarar a vida como uma pessoa com deficiência. Nesse ponto, no entanto, senti mais falta de um drama ácido, como por exemplo, a dificuldade de um deficiente visual ao caminhar por aí, a humilhação algumas vezes, o constrangimento. Mas provavelmente o foco do filme fosse trabalhar no personagem do Sebastian e sua extrema preocupação com a aparência. Pois para ele, o problema não estava exatamente em não ver, mas como ele seria visto pela sociedade agora que estava cego.


Apesar de ser um filme que critica o modo egoísta de ver o mundo apenas pela aparência, Ego é um trabalho extremamente bonito. Personagens bonitos, cenários bonitos, fotografia bonita. A beleza do próprio personagem principal é algo que se destoa, pois quando ele tenta rever seus conceitos através de uma vida vazia e sem sentido de festas e uma mulher por noite, também se esconde na falta de beleza de sua alma.

Por outro lado, a personagem da Mia exala uma beleza ricamente incomum, onde não é a aparência dela que se destaca, mas a força de sua simpatia e positividade.


Para quem curte dar uma conferida nos lançamentos mais badalados de filmes europeus, Ego é uma escolha bacana. Traz uma ótica diferente sobre a questão da juventude e seus problemas com a aparência e conta a história de forma leve, porém com um fundo de sagacidade.


O par protagonista é interessante, mesmo caindo algumas vezes no clichê, e tem cenas diferentes do que normalmente encontraríamos numa comédia romântica hollywoodiana. Sem falar que a trilha sonora é bastante inusitada, com mistura de Lady Gaga, Coldplay e Paolo Nutini.


Enfim, o filmezinho que não tinha ganhado todo o meu afeto no início, até que chamou a minha atenção. Vale a pena para aquele sabadinho à tarde que você tá fugindo dos trabalhos acadêmicos.

Inté, galera!

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