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03 julho 2014

Carta de uma Formada em Administração

Sou Bacharel em Administração.

Formei-me em 2011 com uma pomposa festa num salão elegante e uma colação de grau num auditório repleto. Posso dizer que concluí com todos os supostos louvores de um curso superior de um Instituto Federal. Embora não seja tão louvável assim, pois só sabe o que é ser aluno de universidade pública, aquele que sofreu e/ou sofre as angústias de depender das atitudes do governo. E logo de início a formação em administração se depara com um tremendo choque: que exemplo de administração seguir nesse país indeciso e instável?

Pois bem, sou administradora. E pra começar tenho que confessar que já respondi muito a famosa pergunta sem nexo que todo mundo costuma fazer: E você administra o quê? É uma prova de que começamos com a crise existencial da profissão desde o título que recebemos. Mas essa é apenas uma parte minúscula do grande mundo que é a administração hoje em dia. Afinal, o administrador tem muito mais outros problemas com os quais se preocupar.


Minha jornada começou impulsiva, seguindo aquela linha de grande índice de pessoas que não sabem o que querem e assim, fazem administração. Recentemente vi uma reportagem no jornal em que afirmava que uma pesquisa foi feita em escolas públicas e particulares e analisou quais os cursos de preferência dos alunos quanto à escolha no vestibular. Pra variar, Administração estava sempre lá ocupando as primeiras posições. Mas isso realmente significa dizer que essas pessoas não sabem o que querem? Só digo uma coisa: eu não sabia o que queria necessariamente naquela época, mas posso afirmar que não era Administração. E quem aos 18 anos sabe o que quer da vida? Até hoje eu ainda tenho minhas dúvidas quanto a tudo que dirá quanto a profissão! Meu intuito era aprender da vida, conseguir um bom emprego, saber me comunicar, saber noções de política, de mercado de trabalho, de comércio... E que curso pode te beneficiar a ponto de trazer todos esses esquemas reunidos? Sim, a Administração!

Mas ter um diploma de Bacharel em Administração aqui no Nordeste ainda é só uma forma de ocupar espaço na gaveta na maioria das vezes. O profissional de Administração é formado para ser generalista, entenda ge-ne-ra-lis-ta, ou seja, alguém que é capacitado a entender de todas as áreas do mundo dos negócios. Claro que há possibilidades das pessoas se tornarem especialistas depois, enveredarem pela área financeira, pela área de marketing, de produção, de logística; mas a essência do administrador é de um profissional geral. Contudo, não é a realidade que encontramos no mercado de trabalho por essas bandas. Muitas empresas esnobam a qualificação e os cargos oferecidos são limitados, salários baixíssimos, as funções não exigem entendimento nem de quem tem apenas o ensino médio, que dirá um curso superior. Sem comentar que as opções ainda são escassas e que a gestão de pessoas é algo frustrante. Pra se conseguir um algo mais, somos obrigados a gastar mais em cursos de pós-graduação, obter experiência em variadas áreas e só então poderemos sair da zona de Assistente Administrativo. As Escolas Administrativas avançaram muito com o passar do tempo, desde Taylor, um dos precursores das teorias, até os conceitos tecnológicos da atualidade, mas no entanto, a realidade é muito oposta ao que encontramos nas lindas aulas que tratam de grandes fábricas fazendo revoluções nos métodos de trabalhos dos funcionários.


Talvez seja possível dizer que muita coisa já mudou desde 2011, quando me formei, pra os dias atuais. Mas de algum modo, eu sou uma decepcionada com o mundo dos negócios. A sensação de ter desperdiçado quase 5 anos da minha vida em um curso que não me trouxe o que eu almejava às vezes me assola, mas logo penso que não importa o que aconteça ainda sou uma administradora; ainda tenho o planejamento e a organização – duas das principais funções administrativas – pulsando em minhas veias e consequentemente, trouxe muito do que aprendi na teoria até mesmo para minha vida pessoal.

Há também o fato bastante relevante de eu ter dado asas a minha outra paixão, Letras, e hoje estudando e trabalhando na área consigo amenizar mais a infelicidade do curso anterior. E de toda forma, não quero ser injusta. Se essa sensação amarga quanto a área de gestão é culpa minha ou culpa de um contexto geral, acho que nem vem mais ao caso. O que importa é pensar positivo e entender que o caminho para o sucesso é como uma faca de dois gumes e que às vezes você dá um passo para frente e dois para trás.


Pra concluir, se eu tivesse que dar minha opinião geral sobre o mundo dos negócios nos tempos de hoje e sobre a decisão de fazer um curso superior em Administração, eu ainda diria que é mais do que uma escolha acertada. Você pode não necessariamente vir a trabalhar nisso ou se tornar um empreendedor como dita a modinha atual, mas a riqueza de conhecimento que obterá será incomparável. O administrador num geral está preparado para a vida, para enfrentar o mínimo e o máximo; está em vantagem em relação a muitas outras carreiras. A minha formação, mesmo que gere dúvidas por alguns momentos, me traz a alegria de saber que foi um caminho acertado e que me trouxe até onde estou hoje.

Afinal, ser administrador vai muito além do que ter uma empresa sob seu domínio. A sua principal função é alcançar os objetivos de forma eficiente e eficaz, e quem não quer isso hoje em dia, não é?


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