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23 julho 2014

Neruda e Eu - Um Caso de Amor Eterno

 
Já devo ter falado algumas centenas de vezes por aqui o quanto sou fã de poesia. Lá na adolescência, de uma distância não tão longínqua assim, eu ainda arriscava a rascunhar alguns versos; baseava-me nos meus poemas prediletos, inventava uma coisa mais cavernosa que a outra. Hoje, acho que a poesia é pra quem tem mesmo um dom. Elaborar a palavra não é um trabalho fácil.

Mas ocorre que ainda tenho um afago grande pelo mundo dos versos... É sofrível a minha falta de tempo de me dedicar a eles, de ler, reler e matar as saudades. Embora tenha aquele dia que você se pegue sorrateiramente recitando Camões ou Drummond, ou até fazendo uma saudação nostálgica à Gonçalves Dias. É numa dessas redomas que volto alguns anos antes, e meu fascínio por um certo poeta chileno.


Hoje, com o curso de Letras, me vejo cercada pelo nobres ingleses, pelas ladies de pensamento rebuscado, pelos dramáticos inveterados, por Shakespeare e Whitman. Dentro da literatura inglesa ainda não achei meu predileto. Injustiça, de fato, porque gostaria de dizer: É esse o meu exemplo de autor! Mas as coisas possivelmente tem o tempo certo para acontecer, então, enquanto isso, vou me afundando por aqui em Fernando Pessoa, em Manuel Bandeira, em Cecília Meireles. E principalmente, vou relembrando aqueles versos sempre intensos de Neruda.

Tenho que confessar que conheci tarde a poesia. No auge dos meus doze, treze anos. Agarrava meu livro de literatura da escola e lia cada um dos poemas ali transcritos. Eu aprendi o tal do "amor é fogo que arde sem se ver" com a música da Legião. Só que foi numa dessas paixões repentinas que conheci Neruda. Ele estava lá de bobeira, sem fazer mal algum num canto da página, desconhecido para a maioria dos pobres mortais. E então um professor disse: Já viram o filme O Carteiro e O Poeta? É um filme sobre Neruda. E aquele título me chamou tanta a atenção como o poema Saudade ali escanteado na página do livro.


É tão triste pensar que conheci Neruda muito tarde... Queria ter vivido mais com ele, com suas palavras de amor, com sua melancólica esperança, com sua tenacidade peculiar. Queria ter lido Cem Sonetos de Amor inúmeras vezes e ter decorado Versos Tristes e A Dança. Queria ter visto mais do desconhecido Neftalí Basoalto e sua paixão desenfreada pela poesia enquanto inspirava-se em Paul Verlaine e Jan Neruda para criar o nome famoso.


Ainda não li um terço do que gostaria de sua obra fantástica. Ainda não conheço os detalhes, embora aprecie o conjunto. E se for possível dizer, Neruda dificilmente sairá do topo da minha lista de prediletos, mesmo depois que eu me aventurar mais e mais pela literatura de língua inglesa. Acho que a razão é porque ele é um nostálgico, um sensível, um apreciador da beleza. Ele me faz lembrar de Romeu e Julieta com os seus "dois amantes felizes não têm fim nem morte" e me faz achar que a poesia é como um daqueles sonhos doces que te envolvem até o raiar do dia.


Costumo pensar que mesmo que nosso caso não seja tão antigo assim, ele durará por muitos anos, ou até quando eu for fã de poesia. O fato é que Neruda me entende... Ele me descreve. E além do mais, deixou os versos mais lindos que alguém pode amar.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

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