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03 agosto 2014

Trilogia 50 Tons- Livro 01

Essa vai para a série dos livros que todo mundo leu, menos eu. Quer dizer, até agora.

Acho que já tinha dito por aqui o quanto eu procrastinava essa bendita trilogia, né? Ela me enchia de preconceito, me enchia de pudores, só não me enchia de vontade de ler. Eu sempre fui a sabichona que já tinha lido coisas melhores e coisa e tal, então por quê na minha vida perder tempo em ler mais do mesmo de sempre se eu eu já conhecia a história de cabo a rabo sem precisar nem ler? É, mas como eu não sou sabichona coisíssima nenhuma, me deixei levar pelo momento em que o badalado trailer da adaptação cinematográfica foi lançado e peguei o primeiro livro da dona E. L. James, Cinquenta Tons de Cinza.

Enfim... Aqui tecerei os meus mais sinceros comentários, tentando evitar o máximo de spoilers, mas como eu acho que todo mundo já leu esse bendito livro, ninguém vai se importar se eu me entusiasmar um pouquinho, né? Simbora.


Quando Anastásia Steele entrevista o jovem empresário Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingênua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmática reserva de Grey, está desesperadamente atraída por ele. Incapaz de resistir à beleza discreta, à timidez e ao espírito independente de Ana, Grey admite que também a deseja - mas em seus próprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferências de Grey, Ana hesita. Por trás da fachada de sucesso - os negócios multinacionais, a vasta fortuna, a amada família -, Grey é um homem atormentado por demônios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana não só descobre mais sobre seus próprios desejos, como também sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos.


Até onde todo mundo sabe a história de Anastasia Steele e do bilionário Christian Grey é resultado de uma fanfic de Crepúsculo. Provavelmente a E. L. James, assim como todos que leram a saga vampiresca, sentiu um tanto de falta de pimenta na relação amorosa do Edward e da Bella, e decidiu recriá-los numa situação bem oposta. Aqui no mundo de 50 Tons, Edward é um bilionário com um segredo muito sombrio, e a Anastasia é uma mocinha singela e indefesa sentindo a emoção de se apaixonar pela primeira vez. Até aí tudo parece bem semelhante ao que a gente vê em Crepúsculo, mas é só quando entendemos o tal segredo obscuro do Sr. Poderoso que percebemos que o buraco é bem mais embaixo.

Confesso que a leitura foi uma tortura... Uma tortura psicológica, porque eu tinha séria vontade de encher a Ana de porrada. Síndrome de Grey me atacando? De longe. O que ocorre é que o livro é bem mal escrito. Repetições de frases, de ideias, de movimentos, de tudo. Repetição de sexo é quase inevitável, mas deixei isso passar, porque afinal, trata-se de um livro erótico, não? Mas engolindo em seco a escrita fraca e arrastada da autora, busquei me deter apenas ao conteúdo: o romance conturbado do casal protagonista.


Bem, como começar? A Ana é uma garota simples, aparentemente meiga e que poderia ser muito melhor escrita se não fosse os acessos de demência dela. Juro que me choquei com seu comportamento. Tão pudica, tão recatada, tão delicada... E de repente, se deixa entrar no mundo vermelho da dor do Sr. Grey. Incompreensível. Ela nota de imediato que o cara tem sérios problemas, que é algo muito estranho à ela, mas a garota decide tapar o sol com a peneira e ir levando a situação porque ele é gato, rico e lhe dá presentes caros. Pronto, falei. Acho que a Ana, lá no fundo, é uma baita interesseira. O cara não é gentil, não é simpático, não é agradável com ela. Ele é exigente, controlador, arrogante e bem... Por que não se apaixonar por um sujeito assim não é? Sem falar que ele desenvolve um tipo de perseguição platônica por ela, algo que daria medo a qualquer um, menos na Ana, claro, porque ela é imprevisível, nas palavras do próprio Grey. Quanto a isso, vocês podem dar uma olhadinha nesse famoso video aqui do Felipe Neto que fala que esses 50 Tons não fazem o menor sentido. E não fazem mesmo.


Na metade da leitura me cansei de tentar entender a luta entre o subconsciente da Ana e a tal da deusa interior. Eu me sentia jogada de um lado pra outro sem sequer entender a razão disso. Não seria nem justo comparar tal leitura com o mais recente conto que li da Edna O'Brien e que trata de uma mulher dividida por ser amante de um cara. Juro, não há comparação. Mas a partir dali decidi pular as partes e fui fazendo aquela leitura dinâmica, coisa que me rendeu uma noite inteira ainda. Percebi com isso que os personagens secundários não contribuem para praticamente nada, ou seja, temos uma história confusa e completamente desconexa. Então, pra economizar as palavras, vou estabelecer os tópicos desse livro que são mais chamativos:

SUBMISSÃO: Bem, isso é o que mais me incomoda. Não curto a ideia, não acho agradável, pra mim é sem nexo. Eu vejo o relacionamento como uma troca, como cumplicidade e companheirismo; logo, é difícil estabelecer essa ideia de submissão na minha mente. E de verdade não consigo entender como uma menina tão pura e inocente como a Ana se enfia num troço desses sem nem pestanejar. Alguém mais experiente? Pode até ser. Mas no caso dela... É irreal.


O TAL BDSM: Quem curte, ok, faz parte da vida íntima de cada um. Mas não consigo engolir isso na história de 50 Tons. Qualquer pessoa com o mínimo bom senso sairia correndo ao se deparar com um quarto vermelho, cheio de objetos de tortura, um contrato de submissão e um cara autoritário dizendo que sua virgindade é um problema e precisa ser resolvida o quanto antes. Mas a Ana não é uma pessoa normal, então ela vai lá e aceita. Dentro da literatura, creio que o que li que mais fez sentido nessa pose BDSM foi a história do Vishous em Amante Liberto, da série Irmandade da Adaga Negra. Ali, a dependência do cara em relação a dor é tão grande que nem mesmo a mulher consegue suprir. É algo mais real, mas mesmo assim, não menos assustador.


POR QUE TANTO SUCESSO: Quando comecei a leitura de 50 Tons fiquei a cada dois segundos me perguntando o porquê de tanto auê em cima do livro. Não entendia, juro. Depois passei a associá-lo com Crepúsculo e imaginar que as leitoras de Edward e Bella cresceram e agora estavam numa área mais sádica e coisa e tal. Só que quanto mais eu lia, menos eu entendia. Assumo que o enredo poderia cativar se fosse melhor trabalhado. É como um conto de fadas para mulheres adultas. Pensem em Uma Linda Mulher e na Julia Roberts como uma colegial pura e inocente e o Richard Gere a conquistando com um chicote na mão. Dá pra entender que as mulheres tem colocado seus desejos e anseios em cima de literaturas como essa, que trazem o impossível para as páginas, dizendo que qualquer uma, mesmo a mais tola e desengonçada das criaturas, pode ter um cara lindo, rico e apaixonado aos seus pés. Isso é um prato cheio para a carência de todas nós, que muitas vezes, esperamos muito dos homens e deixamos de perceber que todo mundo tem defeito e que não existe mesmo o príncipe encantado que vai suprir todas as nossas necessidades. O que acho errado nisso tudo é incentivar uma coisa tão absurda: pro sujeito valer à pena ele tem que ser lindo, rico e controlador. Por quê??????


Meus comentários de leitura no Skoob ficaram muito mais descontrolados e indignados, então decidi maneirar na resenha aqui. Afinal, é uma leitura pra entreter. Ninguém precisa considerar 50 Tons como seu livro de cabeceira e a melhor história da vida. A história da Ana e do Grey é até interessante, uma menina apaixonada pelo cara que tem realmente muitas sombras em sua vida. Já vimos muita coisa por aí assim e longe de fazer uma comparação, quem não se assustou e se afligiu com a relação doentia do Heathcliff e da Catherine em O Morro dos Ventos Uivantes? A diferença aqui é uma escrita brilhante e bem elaborada - e olha que nem sou muito fã da Emily Brontë. Desse modo, busquei encarar 50 Tons apenas como um livro erótico sem maiores pretensões. E que até nisso, peca bastante. Tem cenas que sinceramente, poderiam ter passado longe, pois abusaram da boa vontade do leitor de prestigiar tal tipo de intimidade.


Então, antes de vocês dizerem que eu só falei mal e condenei o livro, admito que pretendo ler as continuações. Sou curiosa, quero ver o que se desenrola ainda, apesar de algumas pessoas já terem me adiantado muito e confessado que a autora apenas encheu linguiça pra vender livro. Que seja. Se o propósito era lucrar, ela com certeza atingiu o objetivo. Hoje em dia a literatura passa por coisas assim, pronta para ser consumida e não criticada. O retorno é garantido. Os autores deixaram de ser prestigiados e passaram a ser cúmplices de legiões de fãs, fazendo somente o que interessa e o que tem garantia de venda. É mercado, então, temos que agradar a demanda.

E agora... Cinquenta Tons Mais Escuros vai ficar pra quando eu tiver outra brecha no meu tempinho, porque há uma lista de afazeres acadêmicos na minha agenda.

Até mais, galera!

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