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20 novembro 2015

Porque O Pequeno Príncipe Não É Um Filme Para Criança

Entonces... Vi a mais recente versão de O Pequeno Príncipe para as telonas esses dias porque estava me sentindo na mais pura obrigação de ver qual tinha sido o resultado de tanta euforia do povo. E tenho um batalhão de comentários sobre ele agora.



O fato é que é um filme bem lindinho. Digo, daquele tipo de lindinho que tem imagem linda, música linda e história linda. É tudo lindo. Mas é tudo confuso, também.


Li o livro tão famoso já depois de velha (ihhh... velha!), então provavelmente perdi o sabor de ter lido ele durante a infância e ver com que olhos uma criança realmente encara essa história. Além do mais, todos sabem que o texto de O Pequeno Príncipe não é tão simples e infantil assim. Tem uma reca de pressupostos e subentendidos como diria minha professora de Pragmática, e mais outra de coisas aleatórias que te leva a um mundo de faz de conta tão estranho quanto encantador.


A história ainda é contada pelo Aviador, ainda tem os personagens marcantes e as falas clássicas. No entanto, aparece uma sujeitinha nessa versão que nos dá outro ponto de vista: como uma criança encara o surgimento do Princepezinho. Nesse ponto, fica mais do que notável a separação gigantesca que há entre o mundo dos adultos e o mundo das crianças.


O que me chamou mais a atenção, é o foco que é dado nessa poesia de comparar os mundos. As pessoas estão de alguma forma, amadurecendo as crianças de uma forma muito mais acelerada hoje em dia. Seja por causa da quantidade de aparatos tecnológicos, seja por causa de uma espécie cretina de sexualização da imagem infantil, seja por questões puramente profissionais, as crianças parecem ter virado um tipo de fantoche nas mãos de adultos que querem tudo ao mesmo tempo. 

A adaptação em forma de animação mostra exatamente isso. Uma garotinha que é manobrada pela mãe a ser uma profissional, não uma criança. Não à toa, a vida dela é cinza, sem graça, cronometrada. O encontro dela com o Aviador cria uma laço de pureza, amizade e um mundo imaginário e divertido se forma da maneira mais doce e encantadora possível. A história do Princepezinho de cabelos dourados surgindo no meio do deserto torna tudo ainda mais interessante.


O filme comove inúmeras vezes, nos transporta para um lado um tanto esquecido de nossa imaginação e nos faz perceber o quanto perdemos tempo com coisas tolas, afinal o essencial continua sendo invisível aos olhos. Por outro lado, fiquei me pondo na mente das pequenas crianças que foram até o cinema ver a adaptação. O que elas conseguiram absorver de tudo aquilo além de imagens tão incríveis e situações tão impossíveis? O que elas entenderam realmente do amor tão profundo do Príncipe pela sua rosa? Qual foi a função do Aviador em toda aquela aventura?


O que me restou ao fim, foi que nada daquilo tinha sido feito exatamente para crianças. O próprio Antoine de Saint-Exupéry começa sua clássica história dedicando-a para um adulto, ou ao menos, para a criança que aquele adulto fora um dia. Será que ele esperava realmente que uma criança fosse capaz de transcender os níveis de imaginação e de filosofia para questionar as verdadeiras razões da existência, como o simpático Principezinho faz a todo tempo? Ou ele somente esperava mostrar para os adultos algumas poucas lembranças do que era se sentir pequeno, tendo um mundo gigante ao redor?


Já não me cabe questionar as razões - ou falta delas - que o autor teve para a escrita dessa história tão poética. A única coisa que posso assegurar é que a história nos faz pensar, e muito. É como um filme sobre questionamentos dos mais intensos: O que você tem feito da sua vida? O que você pretende fazer pra mudar? Por que você continua nessa situação? Você é realmente feliz? O que é a felicidade? O que de verdade é importante na vida? Onde a vida começa e onde ela termina?!

Ao fim da sessão, eu estava cheia dessas perguntas saltitando em minha mente e não tinha o mero vislumbre de resposta pra nenhuma delas. Afinal de contas, as pessoas grandes não entendem nada sozinhas.



Por fim, se o Pequeno Principezinho deixou algo de marcante em tudo isso, é que não importa o formato que um carneio tem, mas se ele vai conseguir comer todo o baobá que existe. 

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